El habla de Hermisende y Anejos

+++++Sin duda es curioso observar el dialecto hablado tanto en Hermisende como en el resto de los pueblos que pertenecen a su Ayuntamiento. Su procedencia genera dudas entre los mismos habitantes del pueblo y sorpresa ante los forasteiros (gente de fuera) cuando observan la singularidad de esta "lengua". La situación de estos pueblos fronterizos con Portugal y Galicia, ha sido determinante en la formación de la "lengua" que posee gracias a esta cercanía, claras influencias gallegas y portuguesas. Algunos estudiosos han tratado de encuadrar de alguna forma el dialecto que comparten algunos pueblos de la zona con las mismas características geográficas, Hermisende, La Tejera, San Ciprian de Hermisende, Castromil, Lubian, etc.

Durante la Edad Media las fronteras más antiguas del reino portugués, entre ellas las de nuestro municipio, eran fronteras-zona, es decir, una sucesión de castillos (Bragança y Puebla de Sanabria) que se erigían en puntos de referencia de la separación entre reinos, quedando entre ellos extensiones despobladas entre las que oscilaba la línea divisoria política. Situación fruto de su reciente constitución y las frecuentes disputas entre los pueblos limítrofes.

Ante este panorama surge la necesidad de esclarecer la demarcación de fronteras, especialmente en los concelhos de Vinhais y Brangança, junto a las aldeas de Moimenta, Mançalvos (Manzalvos), Teixeira (La Tejera) y Ermesende (Hermisende), “reivindicadas por el concelho de Brangança”, pero cuya atribución a cualquiera de los reinos ofrecía dudas. Para solucionar las continuas disputas entre las poblaciones por terrenos de dominio dudoso, durante el reinado de Alfonso IV de Portugal (1325-57) los reyes de España y Portugal nombraron comisiones para establecer la delimitación fronteriza.

Durante las Guerras de la Restauración de la independencia (1640) hubo incendios, saqueos y devastaciones en las poblaciones fronterizas de ambos países. Tres poblaciones, hasta entonces portuguesas, S. Cibrao (San Ciprián), Ermesende (Hermisende) y Teixeira (La Tejera), al no querer unirse a la causa del nuevo rey portugués Joao IV, acogido con entusiasmo por toda la provincia de Tràs-os-Montes, quedaron de esta manera ligadas a España.

Los condicionantes históricos y culturales (relaciones entre poblaciones fronterizas a través del trabajo, la asitencia a ferias y mercados, contrabando, matrimonios, etc.) que acabamos de ver han condicionado una situación lingüística particular. Frente a la frontera política concebida como línea divisoria entre dos estados, cultural, y específicamente lingüísticamente, estamos ante una zona fronteriza, una “zona de transición, en que se manifiestan afinidades antiguas e influencias recíprocas entre poblaciones en contacto durante siglos.”

La situación lingüística de la frontera entre Galicia y Zamora con la provincia de Tràs-os-Montes, donde nos encontramos situados, es especialmente singular, puesto como expone Clarinda da Azevedo Maia “las variedades dialectales relacionadas unas con otras sin casi inexistentes puntos de transición, constituían un verdadero continuum dialectal, constituyendo así, toda esa zona, una compleja región de cruce de rasgos gallego-portugueses y leoneses”.

AZEVEDO MAIA, Clarinda da. Fronteras del español: aspectos históricos y sociolingüísticos del contacto con el portugués en la frontera territorial. Comunicación del II Congreso Internacional de la Lengua Española, organizado por la Real Academia Española y el Instituto Cervantes, celebrado en Valladolid del 16 al 19 de octubre de 2001.

DE MOURA SANTOS, Mª José. Os falares fronteriços de Tras-os-Montes. Sep. De Revista Portuguesa de Filología, Vols. XII, tomo II, XIII y XIV. Coimbra, 1967. Págs. 86-89.

++++A continuación adjunto algunas de las palabras utilizadas en todos estos pueblos que no existen en el diccionario o que si existen (en el diccionariode la lengua Portuguesa o Gallega) tienen distintas connotaciones:

Abéspra, ou abéspora, ou abéspera. O mesmo que vespa. Ex. Picou-me uma abéspra.
Aixada, por enxada. Ex. Já guardei a aixada
Atadilho, A parte da tripa do chouriço que fica presa ao fio que a aperta.
Botelo, O estômago do porco cheio de carnes variadas, normalmente costelas, carne junto aos ossos da suã e rabo, devidamente adobadas.
Caboco, Córrego, linha-de-água que, normalmente, só corre no tempo das chuvas. Também se usa o verbo escabocar para designar os regos grandes e profundos que a água das chuvas faz nas terras de cultivo quando corre violentemente. Ex. A chuva escabocou-me a leira toda.
Canicheiro, Lugar escondido, normalmente entre duas paredes velhas, que era usado para ir a campo antes do aparecimento das casas de banho. Ex. Apanhei-o no canicheiro com as calças na mão.
Cemba (ou semba?), A beira do caminho ou de uma propriedade onde aparece erva tenra. Ex. As vacas fartaram-se na cemba do caminho.
Cortinha, Terreno de regadio murado, normalmente junto às casas de habitação, onde se cultiva a horta.
Escaganeirado, Pessoa com pouca força de vontade a quem tudo mete medo. Ex. És uma escaganeirado
Escaldeirar, Abrir regos num lameiro de pasto para facilitar a rega. Ex. Hoje vou escaldeirar o lameiro da veiga.
Escanicheiro, O mesmo que canicheiro. Lugar escondido, normalmente entre duas paredes velhas, que era usado para ir a campo antes do aparecimento das casas de banho. Ex. Apanhei-o no canicheiro com as calças na mão.
Esgarrabunhar, O mesmo que arranhar. Ex. Esgarrabunhei-me numa silva.
Esmangalhar, Deslocar uma articulação. Ex. Caiu e esmangalhou o braço.
Espalhadeira, O mesmo que espalhadoura. Forquilha. Utensílio com que se espalha ou apanha o estrume e outros materiais.
Espanzar-se, Cair desamparadamente. Ex. Enquanto corria espanzou-se e partiu um braço.
Esquadrilhar, Partir os quadris, desancar. Só se usa aplicado a animais. Ex. A vaca caiu da ribanceira abaixo e ficou esquadrilhada.
Estouçar, Fazer barulho em horas impróprias. Ex. O vizinho não me deixou dormir. Estouçou toda a noite
Faceira, Seara de centeio. No Verão de 1641, em plena guerra da Restauração, os espanhóis de Castromil e Hermisende saquearam a Moimenta e incendiaram-lhe a faceira. Fazer, O verbo fazer sofre diversas adulterações: Fai por faz; faile por faz-lhe; fáçamos por façamos, etc
Ferrungar, Som produzido por um objecto quando é atirado com muita força. Ex. Atirou com a pedra com tanta força que até ferrungou.
Figueira, Espécie de cravo grande, em forma de figo maduro, que aparece por vezes no corpo dos animais. Ex. Nasceu uma figueira na perna dianteira da nossa burra.
Forriqueira, O mesmo que diarreia, soltura, caganeira. Ex. comeu ameixas quentes e ficou com uma grande forriqueira
Galifate, Adolescente que já começa a ter barba. Ex. O teu filho está galifate.
Lareiro, Vara grossa que serve para suportar o fumeiro que seca sobre a lareira ou para varejar o forno.
Larego, Leitão crescido, já desmamado. Porco pequeno
Lombeirada, Bater com um pau nas costas de alguém. Ex. Zanguei-me e dei-lhe umas lombeiradas.
Mangada, Mão cheia de palha ou de erva. Ex. Deita aqui uma mangada de erva.
Morrinha, Doença ligeira, chuva miúda. Usa-se também o adjectivo morrinento para designar as pessoas tristes, aborrecidas, que incomodam os outros. Ex. Estou com uma morrinha que não me apetece fazer nada.
Palharego, Casa velha onde se arrumam coisas sem importância. Palheira pequena.
Richelo, O mesmo que cordeiro. Ex. Tenho 40 richelos no meu rebanho.
Rigueira, O mesmo que agueira. Rego grande por onde passa a água pública. Antigamente as mulheres lavavam a roupa na rigueira.
Sarrapastos, Sapatos velhos que normalmente só se usam para fazer trabalhos sujos.
Tantinho, Pequena quantidade, pouca coisa, bocadinho. Os moimentanos usam frequentemente este termo em diversas expressões, como estas: Dá-me tantinho leite; estou tantinho triste; foste tantinho malcriada; fiquei com tantinho medo, dá-me mais tantinha água, etc.
Tolaco, Terreno alagado e cheio de lama. O mesmo que tremedal, lodaçal
Trai, deformação do verbo trazer. Ex. trai-me o martelo (=traz-me o martelo).
Treixa, O mesmo que corda carral. Corda que os lavradores utilizama para segurar a carrada.
Trelo, Contrabando. Aquilo que se ia vender a Espanha clandestinamente Ex. O meu homem foi ao trelo.
Zambonada, Mentira jocosa. Quem diz zambonadas é um zamboneiro.
Zamboneiro, Quem diz zambonadas.
Zirboada, bátega de chuva. Ex. Veio uma zirboada que me molhou todo.

 

Durante las Guerras de la Restauración de la independencia (1640) hubo incendios, saqueos y devastaciones en las poblaciones fronterizas de ambos países. Tres poblaciones, hasta entonces portuguesas, S. Cibrao (San Ciprián), Ermesende (Hermisende) y Teixeira (La Tejera), al no querer unirse a la causa del nuevo rey portugués Joao IV, acogido con entusiasmo por toda la provincia de Tràs-os-Montes, quedaron de esta manera ligadas a España.